
Bremen é uma cidade silenciosa. Até mesmo no parque de diversão da cidade no centro histórico não se ouve gritos de crianças nem metais rangendo. A decoração quase pitoresca dos estabelecimentos típicos e as cores com contrastes progressivos trazem uma sensação de que estamos em um circo há duzentos anos atrás.

No meio do parque, ouvi uma voz feminina exaltada que dizia "You bastard! I hate you!" como quem demonstra falsa inveja para contar ao seu amigo que considera uma conquista pessoal dele admirável. Todos identificaram a estrangeira e continuaram seus caminhos pacatamente. Eu, diferentemente dos outros, sorri para conter uma risada e segui o meu caminho.

Vi então uma árvore vermelha no meio de um rio cercada por árvores de folhas amarelas. Aproximei-me da água e senti um cheiro similar ao de ureia e achei que o cheiro estava vindo de mim. Fiquei feliz quando percebi que minha roupa estava estranhamente aromatizada à amaciante e cigarro e que o cheiro era proveniente da decomposição das folhas dessas árvores em contato com o rio, um cheiro incondizente com a beleza da paisagem.

Cruzei a ponte e me deparei com o ângulo mais lindo da cidade e possivelmente o mais lindo que eu já vi em plena região urbana, fora de parques, no meio da cidade. É simplesmente impressionante que essa paisagem tenha sido preservada contra a pressão imobiliária do crescimento urbano. Certos danos são irreversíveis.

Às 16:50, quando o sol já começava a se esconder no horizonte, andei pelas ruas comerciais da cidade, onde pedestres caminham vagarosamente, dividindo o espaço com bondes e bicicletas em perfeita organização. Os pedestres não batem a sola contra o chão, as bicicletas não ruem de ferrugem e o bonde passa lentamente sobre os trilhos e soa leve e frágil como um ovo rolando sobre uma pia.
O ovo rolando! mara!
ResponderExcluirLembrou do som, né? hehehe Saudade!
ResponderExcluir