Pisei em Bremen, uma cidade pacata no norte da Alemanha, o destino sonhado pelos saltimbancos - que nunca chegaram de fato à cidade - e o meu destino provável no ano que vem. Logo que saí da estação, iniciei minha jornada errante pelo centro da cidade e estranhei o contraste entre as construções e o que se encontra dentro delas.À distância, a cidade parece uma relíquia de museu bem conservada. Contudo, quando olhamos pelas vitrines das construções centenárias, encontramos lojas de eletrônicos, fast-foods, bancas de periódicos e joalherias sofisticadas. A sensação é a de que nós nos instalamos dentro das edificações do Pergamon Museum e passamos a viver o nosso tempo presente dentro delas.


Hoje, particularmente, passei o dia na Universidade de Bremen com o professor Bateman e suas orientandas Nina e Desi. Visitei o instituto Cartesium - Ciências Naturais - e o andar de Linguística no prédio das Humanidades. Digo com toda a serenidade que curti cada momento que passei naqueles prédios silenciosos, cujas cantinas são menos ruidosas que a praça da Cidade Nova às três da manhã de terça-feira, conversando sobre minha intenção de me dedicar a pesquisas aplicadas em vez de assumir um trabalho executivo e sobre as possibilidades de pesquisa nesta instituição.
Não pude evitar a lembrança de um colega universitário zombar o meu pensamento extremamente cartesiano enquanto comentava com o professor sobre como o inglês e o alemão representam conceitos difíceis de se representar com coordenadas e formas geométricas e sobre a inviabilidade de controlar um robô usando conceitos somente linguísticos e sem um modelo físico adequado sobre o espaço físico. Eu ria por dentro vislumbrando que talvez um pensamento cartesiano não seja um atributo tão pejorativo por aqui. Talvez eu tenha encontrado, de alguma forma, o meu bando.
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