Assisti a um vídeo de Olavo de Carvalho – dito professor, filósofo e jornalista – em que ele se propõe a explicar com neutralidade a distinção entre homossexualidade e homoafetividade. Em seu vídeo, ele define homoafetividade como a prática de "dar o cu", diz que o termo homossexualidade é uma palhaçada da ditadura gayzista e que o que existe é homossexualismo, ou seja, a prática de "dar o cu". Depois, explica que a geração de novas vidas é a essência da unidade familiar e que, por isso, não existe nenhuma lei no mundo que impeça uma pessoa a se separar do seu parceiro se o seu parceiro for impotente ou se a sua parceira for estéril. Depois, ironizou dizendo que, se o casamento de marmanjos for permitido, ele gostaria que o Luiz Mott se casasse com os 500 marmanjos com os quais ele disse ter tido relações afetivas e sexuais e que ficasse responsável de sustentar esses 500 marmanjos desgraçados. Enquanto ele dizia isso, jovens riam atrás das câmeras, aparentemente achavam os comentários divertidos.
Na argumentação de Olavo de Carvalho, existem pessoas qualificadas e desqualificadas, pessoas que merecem o respeito da sociedade, dignas desse respeito, e pessoas que não o merecem, indignas. Os homens e as mulheres são os dignos de respeito, os marmanjos e desgraçados homossexuais são os indignos. Mulheres homossexuais não existem, bissexuais tampouco.[1] Em seguida, argumenta que a inexistência de leis que proíbam pessoas a se separarem em caso de impotência e de esterilidade seja uma prova de que a unidade familiar é motivada pela geração de prole, esquecendo-se porém de que a inexistência de leis que proíbam pessoas a se separarem em caso de ausência de sexo sem fins reprodutivos não fosse uma prova contrária. Ele termina o seu vídeo fazendo uma crítica pessoal ao Luiz Mott por ele ter tido mais de 500 relações afetivo-sexuais em sua vida e generalizando a vida de Luiz Mott para todos os homens homossexuais. Adiciona no último minuto a interpretação de que uma unidade familiar é composta por um dominante e um ou mais dependentes e não entre duas pessoas iguais em direitos e deveres como impõe a Constituição Brasileira. Ou seja, nada do que foi dito diferencia os conceitos de sexualidade e afetividade nem as prazerosas e sofridas ausências de correspondência entre os dois (há quem faça sexo sem amar e quem ame sem ser amado).
Resultado: após assistir a esse vídeo, passo a considerar cognitivamente incapaz toda e qualquer pessoa que se referir a esse criminoso (estou na Alemanha e aqui ele é um criminoso) como professor, filósofo ou jornalista. Ou seja, Olavo de Carvalho, na sua neutralidade, poderá tornar algumas pessoas incapazes de se aproximar e permanecer no meu núcleo social.
[1] Somente por indignar groups sociais, Olavo de Carvalho teria cometido um crime na Alemanha e estaria sujeito à monitoramento secreto pelos Defensores da Constituição (Verfassungsschutz) e à pena de prisão. Na Alemanha, a dignidade humana é intocável e falas como a do Olavo de Carvalho são consideradas discursos de ódio.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
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