quarta-feira, 11 de abril de 2012

DDR

Antes de dormir, Alex e eu assistimos o filme "Coming Out" produzido na Berlin Oriental e lançado no dia 9 de Novembro de 1989. A cada cena, Alex comentava algo: essa era a porta da minha casa, eu freqüentei esse bar, era assim mesmo o cruising no parque, assim era a Praça de Alexandre... Depois do filme, ficamos conversando até tarde. Daniel: Esse filme é uma crítica fortíssima à sociedade da época. Como foi que alguém conseguiu produzir esse filme em um regime ditatorial? Alex: Os militares não entenderam a crítica, acharam que o filme só retratava fielmente a realidade. Daniel: É sempre assim. O mesmo aconteceu no Brasil. A realidade tem uma forte tendência libertária...

sábado, 7 de abril de 2012

Varegista de ascendência estrangeira

Ontem Michel e eu combinamos de dar uma passada no Campo da Páscoa. Decidimos não comer em casa para experimentar as comidas de lá. Chegando na feira, não havia ninguém. Todas as barracas estavam fechadas e as luzes apagadas. Caminhamos, então, até a estação ferroviária central e paramos em uma barraca de salsicha. Michel pediu uma salsicha de Viena com katchup e mostarda e eu pedi uma salsicha apresuntada de Cracau com pão e mostarda.

Michel: A gente pode aproveitar para perguntar o horário de funcionamento da feira para o varegista.

Daniel: Você tem razão. Oi, de novo! Por acaso, o senhor saberia o motivo de o Campo de Páscoa estar fechado hoje?

Varegista: Sim, claro. Dizem que Jesus morreu numa sexta-feira e, por isso, eles não abrem a feira. Eles estão de luto hoje.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Juventude Rebelde

Para o café da manhã, comprei croissants e pães integrais. Chegando de volta ao apartamento do Alex, montei uma mesa com os pães e o que tínhamos na geladeira: geleia, queijo, presunto, mortadela, manteiga e marzipan. Por fim, preparamos um café com leite bem gostoso. A conversa girou em torno dos nossos pais e avós.

Alex: A minha avó tinha um contato bem próximo com as pessoas do acampamento russo em Berlin. Ela não se prostituía, mas ganhava comida quando estava no acampamento. Eu acredito que ela tenha se apaixonado por um militar russo e que minha mãe seja fruto dessa relação. Eu não conheci o meu avô e esse assunto nunca foi permitido na minha família. Como muita gente me pergunta se eu tenho ascendência russa, eu acredito que eu tenha puxado esses traços daí.

Daniel: Eu ficaria tão feliz se fosse possível que as relações declaradas correspondessem mais às relações reais; que a sua avó, por exemplo, pudesse contar a vocês quem foi o seu avô; certamente isso seria relevante para você, fosse o seu avô quem quer que fosse.

Mais tarde, passeando pelo Campo da Páscoa (Osterwiese) com o Alex, nos deparamos com uma pista de carrinho de bate-bate repleta de garotos e garotas rebeldes. Ficamos observando e conversando sobre a cena:

Alex: Aqui se pode fazer uma pesquisa sociológica. A juventude rebelde se junta toda nesta atração. Os garotos com mais status sentam em cima do encosto da cadeira e dirigem com uma mão só. A maioria deles tem ascendência turca, né?

Daniel: É realmente interessante que a ascendência turca, alemã ou russa seja relevante aqui. No Brasil, ter ascendência turca ou alemã não faz a menor diferença. E você, inclusive, tem um quarto de ascendência russa, né?

Alex: É, mas a minha avó criou a minha mãe sozinha e o meu avô não fez parte da educação da minha mãe.