sexta-feira, 6 de abril de 2012

Juventude Rebelde

Para o café da manhã, comprei croissants e pães integrais. Chegando de volta ao apartamento do Alex, montei uma mesa com os pães e o que tínhamos na geladeira: geleia, queijo, presunto, mortadela, manteiga e marzipan. Por fim, preparamos um café com leite bem gostoso. A conversa girou em torno dos nossos pais e avós.

Alex: A minha avó tinha um contato bem próximo com as pessoas do acampamento russo em Berlin. Ela não se prostituía, mas ganhava comida quando estava no acampamento. Eu acredito que ela tenha se apaixonado por um militar russo e que minha mãe seja fruto dessa relação. Eu não conheci o meu avô e esse assunto nunca foi permitido na minha família. Como muita gente me pergunta se eu tenho ascendência russa, eu acredito que eu tenha puxado esses traços daí.

Daniel: Eu ficaria tão feliz se fosse possível que as relações declaradas correspondessem mais às relações reais; que a sua avó, por exemplo, pudesse contar a vocês quem foi o seu avô; certamente isso seria relevante para você, fosse o seu avô quem quer que fosse.

Mais tarde, passeando pelo Campo da Páscoa (Osterwiese) com o Alex, nos deparamos com uma pista de carrinho de bate-bate repleta de garotos e garotas rebeldes. Ficamos observando e conversando sobre a cena:

Alex: Aqui se pode fazer uma pesquisa sociológica. A juventude rebelde se junta toda nesta atração. Os garotos com mais status sentam em cima do encosto da cadeira e dirigem com uma mão só. A maioria deles tem ascendência turca, né?

Daniel: É realmente interessante que a ascendência turca, alemã ou russa seja relevante aqui. No Brasil, ter ascendência turca ou alemã não faz a menor diferença. E você, inclusive, tem um quarto de ascendência russa, né?

Alex: É, mas a minha avó criou a minha mãe sozinha e o meu avô não fez parte da educação da minha mãe.

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