Após uma reunião, fomos eu, John Bateman e Matthias Scheutz a um restaurante. No caminho, conversávamos sobre robôs e, de repente, o assunto ficou filosófico:
Matthias: [...] quando se conversa com robôs [...] porque não faz sentido falar sobre algo que não existe.
Daniel: Nem todo mundo concorda com isso. Existe muita gente que passa a vida inteira falando sobre coisas que não existem. E a gente conhece um bom número deles tanto na sociedade em geral quanto na academia.
Matthias: É. Você tem razão. Então você vai gostar de um experimento que eu fiz. Colocamos uma caixa azul na frente de um robô. Ele tinha duas câmeras no lugar dos olhos e nós fizemos um software que reconhece o formato e a cor da caixa na imagem capturada. Esses traços da imagem ficavam disponíveis para o módulo linguístico. Assim podíamos conversar com o robô e observar suas reações:
Pessoa: Tem uma caixa azul na sua frente?
Robô: Tem.
Pessoa: Cadê?
Robô: Aí ó. (Apontando!)
Matthias: Então o robô continha o mínimo necessário para haver cognição e conseguíamos ter acesso ao processo cognitivo por meio do diálogo. Mas acessávamos somente traços da percepção e não a percepção como um todo. O interessante acontece quando começamos a brincar com o software de reconhecimento. Retiramos a caixa da frente do robô, mas continuamos a emitir o sinal de formato e cor da caixa. Quando conversávamos com o robô, ele agia como uma pessoa esquizofrênica, que enxerga o que não está presente. Colocamos a caixa de novo na frente dele e forçamos o software a parar de enviar o sinal e, assim, o robô parou de reconhecer a caixa apesar de enxergá-la. Com esse "experimento", conseguimos demonstrar que é possível que exista a mente e que ela seja um processo físico. O bom é podermos transformar teorias de papel em modelos testáveis. Se alguém quiser um modelo filosófico melhor, que tente mostrar que o modelo funciona e não somente escrevê-lo no papel.
domingo, 11 de março de 2012
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