Antiontem o Marco Feliciano (PSC/SP) adentrou a Comissão do Plano Nacional de Educação para se opor ao combate da discriminação por gênero e por orientação sexual nas escolas. Para ele, a palavra "gênero" é de semântica tão vaga que nem se consegue pronunciá-la direito. No entanto, ele parece conseguir distinguir muito bem a sua mãe do seu pai e, com a excessão de um referência ao Luiz Mott, homem homossexual, como "a senhora" no passado, ele parece reconhecer o gênero dos/das presentes e se dirigir a eles/elas e os/as mencionar no gênero socialmente esperado. Interessantemente, ele disse uma vez: "não tenho nenhum tipo de preconceito: na minha secretaria, vou tratar negros e gays como se fosse qualquer pessoa normal". Essa sua fala foi reproduzida por aqueles que o odeiam enquanto político porque estes contam com o fato de que as palavras de Marco Feliciano terão um significado convencional e servirão contra ele. Para Marco Feliciano, novamente a culpa é da maldita semântica.
Ontem, outro caso me impressionou. Desta vez, o significado não entendido é o significado de determinação. O Congresso pede agora a definição de "fato determinado" para o STF porque o congresso não conseguiu decidir se "os quatro fatos" que motivariam uma CPI são "determinados" ou não. No entanto, ninguém tem dúvida de que o discutido é fatual nem que falte alinhamento entre os objetos mentais sobre os quais os interlocutores pensam que discutem. Todos falam do fato A, do fato B e assim por diante entendendo o que cada fato é. Se esses fatos são determinados ou não, isso parece ser mais uma vez uma questão de semântica: maldita semântica!
quinta-feira, 10 de abril de 2014
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