sábado, 24 de dezembro de 2011
Retrospectiva
Agora que está chegando o fim de mais um ano e o meu futuro está mais uma vez aberto, eu reavalio mais uma vez o que vivi este ano e na minha vida. Nostalgia é a palavra que mais resume o sentimento. Bate aqui uma saudade dos meus amigos, dos meus ex-namorados, da minha família, bate uma saudade dos 32 graus de BH. Bate uma saudade dos abraços, dos banquetes, dos champanhes (que eu nunca tomei), das piscinas, das festas de aniversário, das festas de desaniversário, dos cafés e dos bares, das caminhadas e corridas, da lagoa da Pampulha, dos médicos (acredite!), da academia Fórmula. Então: a minha vida aqui é outra. Eu pego um trem pontualmente às 10:28, uma vez por semana almoço com um colega, dou uma aula por semana, vou à academia quando consigo (1 vez a cada duas semanas), encontro com um de três amigos duas vezes por semana e estudo o restante do tempo. São quase 17 hrs e ainda não usei as minhas cordas vocais hoje. A minha vida aqui é outra.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Como criei minhas identidades
Hoje, depois de refletir sobre a vida com um amigo meu, tentei reconstruir o momento em que aprendi que sexualidade era algo que se classificava. Eu devia ter 9 anos e estava na terceira ou quarta série. Nessa época, eu tinha amigos e favoritos na minha sala: os meus favoritos se chamavam Rafael, Eugênio e Cibele. Lembro-me de três episódios correlacionados com essa descoberta:
1) Durante uma partida de vôlei na aula de Educação Física, um garoto começou a chamar os colegas que erravam o saque de "viado". Perguntei o que era e ele me respondeu "homem que gosta de homem". Depois isso, passei a ler livros em vez de fazer Educação Física.
2) O meu tio, que estudava medicina, comentou sobre a epidemia de AIDS no apartamento da minha avó. Eu, apavorado com a epidemia, fui acalmado com a explicação de que na época a maioria das pessoas que tinham HIV eram homossexuais. O que era isso? "Homens que gostavam de homens". Nos dias seguintes, briguei com o Rafael e com o Eugênio e passei a escrever cartas de amor para a Cibele.
3) Por fim, li uma matéria sobre o Cazuza na revista VEJA na sala de espera do ortodontista. Depois de ler, fui ao banheiro verificar se estava com febre ou se estava ficando magro. Não, não estava. Então comecei a fazer dieta para perder peso.
Agora, vinte e dois anos mais tarde, reli a matéria da Revista VEJA sobre o Cazuza. Metade da matéria consiste em uma auto-justificação da revista se mostrando como não-sensacionalista enquanto descrevia o péssimo estado físico do cantor, um quarto é a reprodução da fala de outros (não do Cazuza) com momentos – de fato – emocionantes e no fim a matéria se torna uma crítica a opositores políticos como o Gabeira e um desmerecimento do Cazuza enquanto poeta. Era a VEJA, o que se poderia esperar?
Matéria da Revista VEJA sobre o Cazuza
O mais interessante nisso tudo: ninguém nos disse na época no Colégio Santo Agostinho 3 (atual Colégio Magnum) que HIV se contraía por meio de sexo anal ou vaginal com um portador do vírus ou que era errado discriminar com base em sexualidade. Que bom teria sido se essas duas informações tivessem sido divulgadas com suficiente clareza naquela época...
1) Durante uma partida de vôlei na aula de Educação Física, um garoto começou a chamar os colegas que erravam o saque de "viado". Perguntei o que era e ele me respondeu "homem que gosta de homem". Depois isso, passei a ler livros em vez de fazer Educação Física.
2) O meu tio, que estudava medicina, comentou sobre a epidemia de AIDS no apartamento da minha avó. Eu, apavorado com a epidemia, fui acalmado com a explicação de que na época a maioria das pessoas que tinham HIV eram homossexuais. O que era isso? "Homens que gostavam de homens". Nos dias seguintes, briguei com o Rafael e com o Eugênio e passei a escrever cartas de amor para a Cibele.
3) Por fim, li uma matéria sobre o Cazuza na revista VEJA na sala de espera do ortodontista. Depois de ler, fui ao banheiro verificar se estava com febre ou se estava ficando magro. Não, não estava. Então comecei a fazer dieta para perder peso.
Agora, vinte e dois anos mais tarde, reli a matéria da Revista VEJA sobre o Cazuza. Metade da matéria consiste em uma auto-justificação da revista se mostrando como não-sensacionalista enquanto descrevia o péssimo estado físico do cantor, um quarto é a reprodução da fala de outros (não do Cazuza) com momentos – de fato – emocionantes e no fim a matéria se torna uma crítica a opositores políticos como o Gabeira e um desmerecimento do Cazuza enquanto poeta. Era a VEJA, o que se poderia esperar?
Matéria da Revista VEJA sobre o Cazuza
O mais interessante nisso tudo: ninguém nos disse na época no Colégio Santo Agostinho 3 (atual Colégio Magnum) que HIV se contraía por meio de sexo anal ou vaginal com um portador do vírus ou que era errado discriminar com base em sexualidade. Que bom teria sido se essas duas informações tivessem sido divulgadas com suficiente clareza naquela época...
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