quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Discovery Chanel acabou com o desconhecido


Entrei no maior jardim zoológico do mundo, que fica no Meio de Berlim, imaginando as feras exóticas que iria encontrar lá dentro. Sem perceber, imaginei que a minha visita me devolveria a sensação que tive quando ganhei um livro sobre dinossauros muito antes do filme Jurassic Park, quando vi pela primeira vez um fóssil de um hornorinotério baiense, quando achei uma pedra sedimentar com uma costela de peixe dentro e quando vi morsas, veados e esquilos andando livres em Óregon nos EUA. Esperava o êxtase de descobrir um mundo absolutamente novo, porém a minha expectativa não podia estar mais errada. Tirando os ursos polares, os pinguins e uma panda concedida pelo partido único da China, o jardim zoológico de Berlim tem as mesmas atrações que os seus concorrentes com uma variedade um pouco maior de espécies.

A paisagem, no entanto, é linda. Várias vezes me peguei sonhando acordado, vendo ao vivo aquilo que só existia nos sonhos. Em especial, no fim da tarde, quando o sol já está baixo e escondido atrás das nuvens, tem-se uma visão linda em cima de uma ponte de madeira quando se vira em direção a um coreto com colunas coríntias na beira de um lago. A água reflete o céu e as árvores contornam o campo de visão. Ali fiquei por um bom tempo observando a beleza da paisagem com a minha mente absolutamente vazia.

Depois de admirar a beleza do paisagismo e de admirar a exposição de animais cercados e ilhados, fui à casa climatizada de exibição de felinos caçadores. Após todos os felinos, havia uma jaula climatizada com lêmures (não tenho certeza se eram lêmures). Me chamou a atenção um lêmur que estava ereto no topo de um rochedo observando o horizonte. Ele parecia contemplar a paisagem. Me veio uma dúvida se ele estava pensando em algo ou se estava somente admirando a beleza da paisagem sem maiores preocupações.

Depois dali, fui à casa de exibição de macacos. Logo que cheguei, observei um macaco enjaulado que parecia sentir tédio. Ele tinha um olhar parado e sua cabeça estava levemente apontada para o chão. Cheguei bem perto e comecei a observá-lo olho no olho. Ele abriu um certo sorrizo acompanhando o meu. Eu o observava enquanto ele me observava. Havia ali uma conexão.

Queria registrar aquele momento e saquei o meu celular para tirar uma foto dele olhando para mim. No instante que eu apontei a câmera, ele se entristeceu e ficou constrangido. Ele estava enjaulado e eu insensivelmente tentava tirar uma foto dele enquanto um objeto exibido e não de nós enquanto dois primatas que se tornavam amigos. Virou para o outro lado de vergonha enquanto eu tombava minha cabeça de arrependimento. Guardei a câmera e acenei um tchau para ele antes de ir embora com um sorriso envergonhado. Em resposta, ele me acenou um tchau bem rápido como quem aceita o pedido de desculpas com certo rancor.

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