segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Dias cinzas

Curti meus últimos dias cinzas em Berlim sob uma nébula densa. A claridade tem durado menos de 9 horas e, por isso, comecei a dissociar sono de escuridão. Ou seja, tenho dormido apenas 9 horas, o que me deixa pelo menos 6 horas acordado na noite preta, o que não é de todo mal, porque a vida noturna começa bem cedo como seria desejável que fosse em qualquer parte do mundo.

Nesses dias, passeei com meus amigos pela cidade. Passamos várias vezes pelas lojas de produtos inverossímeis e pelos cafés confortáveis de Schöneberg próximos à Nollendorfplatz, um bairro boêmio mutilado durante o Socialismo Nacional que, depois de seis anos de opressão, ressurgiu como o bairro mais libertário do mundo. Em todo café, invariavelmente tomei minha coca-cola light, que, ao ser pedida no devido tom, não provocava mais sentimentos paternais nos garçons.

Fomos também às compras. Levamos litros de perfume da Kaufhof da Alexanderplatz – mais da metade a pedido de amigos – e aparelhos diversos da gigantesca loja de eletrônicos próxima ao Zoológico. Incrivelmente, o preço dos perfumes aqui é 1/5 do preço praticado no Brasil. Já à noite, frequentamos as tavernas e clubes da Berlim oriental, uma região bem menos opulenta, mas extremamente receptiva. Curtimos nossas noites nas tavernas das Oranienstraße e Warschauerstraße e depois nos dirigimos aos famosos clubes de música eletrônica. Todas as noites, depois de cogitarmos ou tentarmos em vão entrar no clube Barghain, nos dirigirmos a outro lugar menos hostil a turistas.

Sobretudo, comemos muito bem. Fizemos um turismo gastronômico implausível na cidade de gastronomia mais difamada na Europa depois de Londres: o lugar onde se come muito, mal. Entramos famintos várias vezes em restaurantes americanos como Burger King e McDonald's, mas, de última hora, não tivemos coragem de desmerecer a esse nível a comida local. Frequentamos então restaurantes mais adequados à espécie humana e nos deliciamos com comidas turcas, italianas, taiwanesas, italianas, asiáticas e italianas novamente. Tudo isso ao ar livre com aquecimento típico por tochas. Uma experiência de dar água na boca!

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