O meu ímpeto de falar sobre sexo começou quando ouvi Olavo de Carvalho comentar o episódio em que o reitor Augustus Nicodemus Lopes da Universidade Mackenzie – onde desde 2008 se ensina que o deus cristão criou a terra – divulgou se opor ao PL122, que criminaliza a homofobia. Olavo de Carvalho se denomina filósofo e defende a opinião do reitor. Ele, como um comentarista, é uma pessoa absolutamente irrelevante na minha vida, mas o seu comentário expõe com tanta clareza como funciona a mente de uma pessoa homofóbica que ele se torna relevante enquanto objeto de observação e entendimento de mundo.
Segundo Olavo de Carvalho, práticas como ter até duas amantes e frequentar bordéis são aceitáveis desde que as amantes não sejam esposas de conhecidos. Contudo, como ele não deseja ter um parceiro do sexo masculino, tudo o que esse parceiro hipotético faria é considerado inaceitável. Ele retrata sua cena imaginária colocando-se como um participante da penetração e, por isso, ele enxerga o outro participante como alguém que não deveria estar ali. A partir dessa fantasia, conclui que os homossexuais exercem somente as ações passivas da penetração. Olavo de Carvalho é incapaz de perceber que assumiu um papel na relação imaginada e, com essa visão angular, ele não enxerga o homossexual ativo na penetração. Por consequência, considera indigno de respeito alguém que seja homossexual, aquele ser que invadiu a sua fantasia e lhe trouxe incômodo.
Para aqueles que se interessam em conferir como raciocinam os opositores do PL122, que criminaliza a homofobia, aqui está a voz do Olavo de Carvalho:
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