Ontem Wolfram me levou a um concerto na Igreja São Jacó. O primeiro ato foi uma sinfonia com órgão e o segundo foi Requiem de Mozart. Quando o coro começou a cantar, eu me surpreendi: eu conseguia entender a letra da música e eu não estava sonhando. Abri o folheto impressionado e comparei o texto em latim com o texto em alemão. Entendia o que estava escrito em latim e não o que estava escrito em alemão. O som era lindo e suave, mas enquanto os outros ouviam o ritmo, a melodia e as rimas, eu ouvia uma súplica por perdão, vozes que se diziam indignas ao que pediam a Jesus, vozes que se comparavam com mães solteiras e ladrões. Elas pediam para não serem jogadas à fogueira ou ao fundo do lago, para não serem jogadas de comida aos leões, nem no mar de piche, nem no poço escuro. Elas queriam continuar vivendo, mas não eram dignas a isso. Quando a música acabou, fez-se um silêncio imenso enquanto os sinos tocavam distantes, bem distantes acima de nós.
Offertorium – Mozart
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