O que me impressiona constantemente desde que saí do aeroporto até agora é o transporte em Berlin.
Primeiramente e por mais incrível que pareça, os veículos coletivos - bondes e trens - não têm nenhum controle de entrada. Antes de entrar em um vagão, os passageiros devem obrigatoriamente comprar um bilhete que vale em todos os veículos coletivos* por 2 horas, um dia, uma semana ou um mês. A compra do bilhete é absolutamente desvinculada da entrada no vagão e ninguém - a menos que surja um servidor do fisco - confere se os passageiros têm bilhetes e se os bilhetes estão válidos. Cada bilhete é pessoal e intransferível e, para isso, não é necessário o registro do beneficiário.
* Pode-se comprar um bilhete válido em uma área urbana reduzida por um preço menor. O centro da cidade é a área A, o supercentro é a área B e a periferia é a área C. Assim, pode-se comprar um bilhete AB, ABC ou BC dependendo da área desejada.
Em segundo lugar, os bilhetes dos veículos coletivos são divididos em três categorias segundo o tipo de beneficiário: o bilhete ecológico, o estudantil (primeiro grau) e um terceiro que não foi possível entender com meu vocabulário. O ecológico tem esse nome para que os cidadãos queiram substituir os carros, motocicletas e bicicletas por veículos coletivos. O nome parece eficaz porque quase não vejo carros nas ruas. Bicicletas vejo aos montes, em movimento ou deixadas com ou sem corrente em estacionamentos de bicicleta parecidos com o que temos na Savassi ao lado da McDonald's. Pensei em aderir ao movimento das bicicletas, mas, quando fui comprar uma usada na alameda da escola, achei tão cara que, por um mês, preferi usar veículos coletivos do que comprar um veículo individual.
Quanto à minha ideia de não usar os veículos coletivos após as eleições, já a descartei. Desde que saí do Brasil (ontem), isso me soa como uma paranóia das Américas que ainda não conseguiu entrar aqui. Ninguém ao meu redor ouviu ou ouviu falar do guri alemão que se disse Jihadista na Internet. Isso passou despercebido por quem vive somente sua própria vida nesta cidade.
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