domingo, 27 de setembro de 2009

Memorial do Holocausto

Depois de deixar objetos pessoais no meu apartamento que fica perto do monumento Brandenburger Tor, fui ao monumento em memória dos judeus perseguidos pelos nazis. Chegando lá, a primeira impressão que se tem é de que se trata de um mar de caixões cinzas e que a obra se resume a isso. Contudo, quando passei por entre os blocos cinzas, minha percepção do monumento se alterou profundamente. Ao adentrá-lo, os blocos se tornaram progressivamente mais altos e os espaços entre eles se transformaram em corredores estreitos e longos.

Nesse momento, apesar de o monumento estar lotado de visitantes, eu só conseguia ver grandes corredores vazios. Podia ouvir as vozes das outras pessoas, mas elas não estavam à minha vista. A cada bloco por que passava, eu cruzava outro corredor e precisava olhar para a esquerda e para a direita para não trombar com quem viesse: ninguém vinha. Eram vários corredores vazios. Tornou-se um movimento repetitivo a cada 3 metros, um movimento paranoico de evitar alguém que pode aparecer a qualquer instante. Saí da praça com a sensação paranoica de um fugitivo solitário e me senti bem quando a luz do sol bateu no meu rosto novamente. Depois da experiência, não tive coragem de descer à galeria com os nomes, fotos e histórias dos que morreram nessa perseguição. Talvez eu ainda desça lá quando meus amigos chegarem em Berlim. Não quero descer sozinho.

Perto dali, no parque do meio, existe outro bloco cinza isolado, um monumento bem menor e menos notável. Dentro dele, é projetada uma cena com um beijo eterno entre dois rapazes em memória dos homens perseguidos pelos nazis por gostarem de outros homens.

Nenhum comentário:

Postar um comentário