Minha amiga me disse:
Também acho legítimo o descontentamento do Saulo [e do Daniel], mas, primeiro, a maioria é o voto conservador. A gente que vive na cidade grande, no meio gay, acaba esquecendo isso. Inclusive, foi a tal da maioria conservadora e os em cima do muro que levaram essa eleição para o segundo turno.
Eu também acho legítimo eu ficar com raiva de quem vota no Serra por motivos esdrúxulos, mas nem por isso vou votar no Serra só para poder falar "bem feito". Meus motivos para votar não são emocionais, não são de simpatia, carinho e amor com os candidatos. Nem de raiva, ressentimento e mágoa.
Acho que não escolher um lado é se omitir, não diz nada para ninguém. Ninguém tá nem aí pros votos nulos e brancos. É a ilusão de quem votou no Tiririca como protesto, esperando que um ser superior vá enxergar o ridículo e mudar as regras do jogo, quando o tal superior na verdade é o congresso, e quem tá no congresso é o Tiririca. Você acha que votos omissos vão sensibilizar quem? Sério... Quem vai olhar para olhar para o seu voto e pensar: "Unh... Vou mudar." Quem ganhar, Dilma ou Serra, isso que vai ficar marcado. Vai ter sido a campanha que deu certo. E me dá ânsia imaginar que alguma minoria se omita e deixe um partido contra movimentos sociais e diminuição da desigualdade ficar no poder. Lembrando ainda que, se isso acontecer, qual vai ser a mensagem que vai ficar: "A campanha religiosa deu certo. Viva!".
Dessa eleição vai sair um ganhador, por mais que você se omita. E o ganhador não vai estar nem aí para quem votou nulo como protesto. Nem o perdedor. Não existe esse ser superior que vai mudar as regras do jogo por causa do seu protesto.
Quanto ao movimento feminista, está beeeem atuante. Posso te falar porque participo. Mas todas temos consciência de que quem está colocando esses assuntos em pauta é contra a gente, como pode ser lido no post de um blog feminista que mandei dias atrás. Os nossos direitos estão sendo usados como manobra para quem é contra a gente. E nós não vamos dar mais força para essa pauta. Não vamos alimentar o discurso egoísta do Serra e da Igreja. Somos mais espertas ;)
Ninguém ofende minha inteligência enquanto eu não deixar. Enquanto eu souber o que estão tentando fazer comigo e que não vou deixar. Não venham me manipular.
Nós feministas vamos agora falar de distribuição de renda, de promoção da igualdade e da diversidade, da melhoria que o país viveu nos últimos 8 anos. Depois da eleição, fazemos nossa campanha. E sabemos que seremos ouvidas.
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