quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O que vou sentir falta

Às 22h de terça-feira, chamo um amigo para irmos de carro conversar sobre a viagem no Café com Letras. Ele, um admirador de BH, comenta que não percebe BH tão provinciana quanto eu percebo, talvez por ele fazer parte dela, talvez por eu ter tido experiências diferentes das dele, talvez por ele não ser tão facilmente afetado pelos outros quanto eu. Depois de eu contar detalhes que somente dizemos entre amigos sobre a exposição excessiva do sexo, ele surpreso considera que talvez seja melhor sermos como somos em BH e que temos motivos científicos para isso. Ele bem provavelmente tem razão.

No almoço de quarta-feira, meus avós se sentam na mesa com meu pai, minha mãe, minha irmã e comigo. Minha avó faz então as perguntas mais relevantes que já me fizeram sobre a força das mulheres alemãs e sobre o trato ruim para com os idosos. Três perguntas e só. Todos se interessaram em ouvir as anedotas em resposta à minha avó sobre o que aconteceu na minha presença tentando imaginar como se é na Alemanha. Escolhendo anedotas específicas dentre as várias possíveis, a imagem que construo de lá é a de um lugar exótico onde tudo é diferente. Os pontos comuns como a gravidade, a inércia, o carboidrato, a gordura, o sal, o açúcar, os edulcorantes, a água potável, os seres humanos, os cachorros, a luz do sol, a chuva, os telefones celulares, os banheiros, os bancos, as mesas, as bicicletas assim como todo o resto não parecem atrair a atenção.

Às 21h de quarta-feira, pego uma amiga de carro para conversarmos sobre nossas vidas. Conversamos sobre nossas questões pessoais, sobre nossas perspectivas e planos, sobre nossos desejos e frustrações, sobre amores, sobre relacionamentos com colegas, amigos e familiares, sobre nossa personalidade muito similar e sobre como mudarmos o nosso futuro, que já parece um pouco traçado tanto para mim quanto para ela.

2 comentários:

  1. Ei Dani, por que parou, parou porque?
    Estou adorando suas elucubrações!
    Apesar daqui não ser a Alemanha, pode-se dizer que é seu pit stop antes de desembarcar por lá novamente, e nada mais interessante do que saber como você percebe esse hiato.
    Beijos,
    Tia Fê

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  2. Vou atualizar assim que tiver novidades sobre meu retorno. =)

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